O Alienista e Macbeth: o que eles têm em comum?

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"Se pudermos fazer com que Shakespeare
pareça tão excitante quanto Homem-Aranha,
então ele seria considerado cool".
"Nossa intenção era preservar ao máximo o texto original,
o jeito que Machado de Assis escrevia. Mas, ao mesmo tempo,
queríamos que fosse uma história em quadrinhos,
não uma história ilustrada",
Fábio Moon, autor da versão em quadrinhos
de "O Alienista" - para Universo HQ
Além de serem dois clássicos da literatura, foram adaptados para o universo das histórias em quadrinhos. O primeiro, pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, do site e blog 10 pãezinhos, que ganharam o Troféu Jabuti pelo trabalho e o segundo, pela Classical Comics, que além desta, adaptou outras obras como: Frankenstein, de Mary Shelley e Henry V, de Shakespeare, disponibilizando o preview nos três formatos em que são editadas: Original Text (o mais próximo do texto original), Plain Text (no inglês moderno) e Quick Text Preview (versão que mantém a essência do texto).
Vistos como uma "ponte entre o jovem e a literatura", já faz algum tempo que as adaptações de clássicos para os quadrinhos vem despertando o interesse e ganhando espaço no mercado editorial brasileiro. Editoras como a Agir, do grupo Ediouro e a Escala Educacional têm investido nesse segmento com as séries "Grandes Clássicos em Grafhic Novel" e "Literatura Brasileira em Quadrinhos".
O primeiro lançamento da Agir foi justamente "O Alienista", de Fábio Moon e Gabriel Bá, com previsão para adaptações de: “O pagador de promessas”, de Dias Gomes, “Os sertões”, de Euclides da Cunha, e “Dentro da noite”, de João do Rio. A Escala, por outro lado, já lançou doze obras, entre elas, "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, "A Cartomante", de Machado de Assis, e também "O Alienista".

Essa tendência tem despertado não só o interesse de editoras, mas de escolas, que resolveram adotar as adaptações como um instrumento pedagógico e de ensino, como no caso dos colégios Dínamis e Mopi do Rio de Janeiro. Segundo matéria publicada no jornal O Globo, alunos do colégio Dinamis estão adaptando para os quadrinhos, por exemplo, obras como o já citado "O Alienista" e "O Médico e o Monstro". Na opinião dos alunos, "aprender assim é mais legal", porque o desenho permite que eles imaginem como são os personagens e os cenários da história. Para a professora Sandra Ribeiro, responsável pela oficina de escrita, realizada duas vezes por semana, a atividade facilita o aprendizado, porque os "jovens gostam de trabalhar com a imagem, com o desenho". Já os alunos do colégio Mopi costumam devorar as adaptações, sem deixar de conhecer as obras originais.
O sucesso do gênero pode ser medido pelo interesse do próprio MEC, que incluiu vários quadrinhos na lista do Programa Nacional Biblioteca da Escola de 2009. Algo elogiado por profissionais da área da educação, como a pedagoga Bertha do Valle, que em entrevista ao jornal O Globo, disse que os quadrinhos deixaram de ser o "patinho feio" da literatura infanto-juvenil, citando a experiência de uma pesquisadora, que ao aplicá-los em sala de aula para o ensino de ciências, obteve excelentes resultados. No mesmo sentido, a professora Katia Zacharias, da rede municipal do Rio de Janeiro, disse que os quadrinhos "trabalham a criatividade e a imaginação, pois são divertidos e promovem grande interação entre o personagem e o leitor".

A lista divulgada pelo órgão incluiu as seguintes obras:
Ensino Fundamental
  • "Luluzinha vai às compras", de John Stanley;
  • "Níquel Náusea - Tédio no chiqueiro", de Fernando Gonsales;
  • "Suriá - A garota do circo", de Laerte Coutinho;
  • "A turma do Pererê - As manias de Tininin" e "Maluquinho por arte - Histórias em que a turma pinta e borda", ambas de Ziraldo;
  • "O beijo no asfalto", de Arnaldo Branco e Gabriel Góes;
  • "D. João Carioca", de Spacca e Lilian Moritz Schwartz;
  • "Deus segundo Laerte", de Laerte Coutinho;
  • "10 pãezinhos - Meu coração não sei por quê", de Gabriel Bá e Fábio Moon.

Ensino Médio

  • "O Alienista", de Gabriel Bá e Fábio Moon;
  • "Domínio Público - Literatura em Quadrinhos", de vários autores;
  • "A força da vida", "O sonhador" e "Um contrato com Deus", todos de Will Eisner.

Quem quiser dar uma olhada na relação de livros escolhidos pelo MEC para o ano que vem, basta clicar aqui.

Como podemos ver, as história em quadrinhos são um ótimo instrumento para aproximar crianças, jovens e adultos da literatura. Foi graças a "Turma da Mônica" e tantos outros personagens que muitas pessoas, como eu, tomaram o gosto pela leitura, fazendo da ida a uma biblioteca ou livraria um verdadeiro tormento. Prazeroso, é verdade... rs. Afinal, os olhos ficam brilhando e as mãos coçando diante de tantos tesouros espalhados pelas prateleiras. ;)-

Sei que não é tarefa fácil prender a atenção dos alunos ou incentivar neles o hábito da leitura, principalmente em um mundo imerso em tecnologia, onde tudo está ao alcance de "um clique". E é justamente por isso, que atividades lúdicas e criativas, como o uso dos quadrinhos e do RPG em sala de aula (vou retornar ao assunto em breve - mas quem quiser pode dar uma olhada no post RPG e Trabalho em Equipe) podem ser uma ótima ferramenta de ensino e pesquisa, incentivando o aprendizado, seja através da imaginação ou do trabalho em equipe.

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"O mundo está mudando, as crianças estão mudando. As escolas precisam mudar - reflete Gabriel Bá. - Os quadrinhos podem contar histórias tão interessantes, criativas e profundas quanto a literatura e ainda têm um enorme apelo visual que ajuda a prender a atenção do leitor, além de ajudar as crianças a desenvolverem a habilidade de compreensão da história pela soma das informações contidas tanto no texto, quanto nas imagens. Acho que tudo isso é um ponto a favor dos quadrinhos no incentivo à leitura." Gabriel Bá em Gibizada


Clique nas imagens para ampliá-las.

Fonte:

Imagens: blog 10 pãezinhos e Classical Comics.

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