De origem grega (biblion - livro e philia - amor), a palavra Bibliofilia costuma ser definida como a arte de colecionar livros, considerando algumas circunstâncias especiais ligadas à sua publicação, com base em critérios como raridade e importância dos escritos. Para os bibliófilos, a primeira edição de um obra, dependendo do autor, pode se tornar uma verdadeira tentação... Segundo o bibliófilo de 94 anos, José Mindlin, em entrevista ao site Brasília em Dia (que aliás vale a pena ser conferida), "primeiro se começa com as edições comuns. Depois vem o interesse pelo livro bonito, com ilustrações e bem diagramado. A próxima é a busca das primeiras edições de um determinado título. Passa-se, então, a procurar exemplares autografados. A última etapa é a consciência da raridade. E aí você está definitivamente perdido”. Apesar dessa definição, popularmente, o bibliófilo é conhecido como aquela pessoa que costuma ler com frequência ou que, simplesmente, ama os livros. Mas quantos livros podemos ler em uma vida? Para Mindlin, dono de uma coleção invejável, com muitas obras raras, seu desejo seria o de viver trezentos anos, já que poderia ler de vinte cinco a trinta mil livros. Preocupado com a difusão do conhecimento e o incentivo à leitura, Mindlin decidiu doar parte do seu acervo pessoal à Universidade de São Paulo - USP e acredita que deveriam ser criadas mais bibliotecas públicas, funcionando não só a noite, mas também aos finais de semana. O projeto intitulado "Brasiliana USP" será desenvolvido por duas instituições da universidade: o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) , criado em 1962 por iniciativa do historiador Sérgio Buarque de Holanda, e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), cuja brasiliana (**) é considerada a mais importante coleção do gênero formada por um particular, reunindo cerca de 15 mil títulos (ou 40 mil volumes) com obras de literatura brasileira (e portuguesa), relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia (estampas e álbuns ilustrados) e livros de artistas (gravuras). Segundo informações do próprio site, entre tantas raridades, o público poderá encontrar a coleção da Flora Brasiliensis de Von Martius (40 volumes), juntamente com todos os textos do naturalista; uma das mais completas coleções de obras de viajantes e estrangeiros sobre o Brasil, do século XVI ao XIX, as principais obras sobre o período holandês, com exemplares de Barleus e Montanus, além de uma praticamente única coleção de panfletos holandeses da primeira metade do século XVII; exemplares de primeiras edições de diversos literatos do século XIX e XX; manuscritos raros, como um dos poucos exemplares conhecidos da Notícia do Brasil de Gabriel Soares de Souza de 1580, o original único da Relation de la Mission des indiens Kariris du Brezil, escrita pelo padre Bernard de Nantes em 1712; os primeiros exemplares da imprensa régia no Brasil no início do século XIX; coleções (hoje raríssimas) de revistas científicas do século XIX e XX. O projeto envolverá também a criação da Brasiliana Online, permitindo com a digitalização das obras o ensino e a pesquisa através da internet.
Agora só nos resta esperar e torcer para que essas preciosidades, tão cuidadosamente guardadas ao longo de oitenta anos de uma vida dedicada aos livros, não demorem a chegar até nós, pobres mortais... ;)---
E você, quantos livros já leu na vida? Bom, tem uma garota de 12 anos, no interior de São Paulo, que leu, só esse ano, 230 e outra, de apenas seis, devorou 67. Imaginem se elas continuarem nesse ritmo e chegarem aos 94 (veja em Aluna da 6ª série leu 230 livros neste ano)? Tudo bem, não é preciso se desesperar! Cada um tem seu ritmo de leitura e isso deve ser respeitado. Ninguém aqui precisa virar um "devorador" de livros. E nenhuma criança precisa começar pelo "Discours sur l´Histoire universelle", de Jacques Bénigne Bossuet (editado em 1740), como o nosso bibliófilo Mindlin. Meu primeiro contato com o universo da leitura foi com os quadrinhos da Turma da Mônica e depois com enciclopédias que o meu pai não cansava de adquirir. Portanto, o que precisamos mesmo é criar meios de incentivar o hábito da leitura desde cedo e isso não é responsabilidade apenas da escola, é dos pais também. (**) termo que designa um conjunto de livros, publicações e estudos, que tenham por tema a história, a cultura e quaisquer outros aspectos sobre o Brasil.














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