Christian, O Leão - Mais uma lição de amor dos animais

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Um casal havia criado um filhote de leão, mas como era de se esperar, ele cresceu muito, inviabilizando a sua permanência no local. Assim, resolveram soltá-lo, para que pudesse viver livre, entre os de sua espécie. Um ano depois, de volta à África, eles foram reencontrá-lo, embora muitos alertassem que Christian não os reconheceria... Essa é com certeza uma das cenas mais lindas que já vi nessa vida. Palavras não são capazes de explicar uma lição de amor como essa.



Christian the Lion - The top video clips of the week are here

Celtic Woman - Música Celta

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A música celta ou de influência celta é de longe uma das que mais aprecio, embora o rock, o metal e a música clássica e medieval estejam entre as minhas preferidas. Visitando o You Tube, encontrei alguns vídeos da Enya e da Loreena Mckennitt, que simplesmente adoro! A Enya principalmente. Sua voz é tão suave e onírica, que nem parece que está cantando e sim "soprando" em nossos ouvidos. Na mesma linha, gosto muito do projeto "Celtic Woman", que conheci há pouco tempo atrás, depois de assistir um especial na TV e adquirir dois dos três cds lançados pelo grupo (Celtic Woman e Celtic Woman - A New Jorney). Existe um cd de músicas natalinas, mas esse eu não conheço. O grupo é formado por quatro vocalistas irlandesas e uma violinista e o seu repertório inclui canções clássicas, canções tradicionais celtas e modernas. O grupo tem um site oficial http://www.celticwoman.com
Onde encontrar? Submarino.

Vídeos do grupo Celtic Woman:



Falando em música celta, esse é um trecho interessante do filme "As Brumas de Avalon".

Tributo a um gato

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Imagem: SXC

Arrumando as minhas coisas encontrei esse texto sobre o comportamento dos gatos, infelizmente não conheço o autor dessa belíssima e sensível homenagem! Se alguém conhecer terei o prazer de citá-lo aqui.

" ... Nada é mais "incômodo" que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece... O homem, muitas vezes, quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência... O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Somente as saudáveis!!! O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen... O gato é Tao... Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige!... Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato... Ele aparece então como ameaça porque representa essa relação precária do homem com o próprio mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem... Ele vê além , por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência... Se o gesto de carinho é medroso, o gato sabe e se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento... O gato vê mais, dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas, amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é monge a quem o saiba perceber. Monge sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio a nos devolver as perguntas medrosas, esperando que encontremos o caminho na sua busca... O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem entrega, recolhimento e atenção... Lição de sono e musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração Yoga... O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério a disposição do homem!!!..."

UPDATE: visitando o site da APASFA - Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis encontrei informações sobre sua autoria. O texto acima contém trechos de "Simplesmente Gatos", de Arthur da Távola.

O uso dos animais como cobaias - Ética?

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A humanidade dispõe hoje de tanta tecnologia, que me pergunto até que ponto é necessário a utilização de animais na pesquisa científica, para atender aos interesses da indústria farmacêutica e de cosméticos. Será que não é apenas um mero comodismo? Ou mesmo um sadismo inerente à própria natureza humana? Ou não seria o fato de que a utilização de outros meios para testar a eficiência de remédios ou cosméticos encareceria a pesquisa e reduziria os já astronômicos lucros da indústria?
Infelizmente, em que pese todas as campanhas articuladas por ONGs e sociedades protetoras dos animais, foi aprovada em maio desse ano na Câmara dos Deputados a Lei Arouca, que regulamenta o uso de cobaias em pesquisas científicas. Segundo a ong Veddas (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), a aprovação do projeto é uma derrota. "Batalhamos bastante contra isso, mas o lobby da indústria farmacêutica é muito grande. Sabíamos que era só questão de tempo até que isso [a aprovação] ocorresse", diz George Guimarães, presidente da ong.

Agora nossos cientistas, preocupados com os interesses da indústria que defendem, querem utilizar de recursos públicos, para justificarem as suas práticas. Ou seja, o dinheiro que pagamos de imposto será utilizado para servir ao lobby dessa indústria. Sua proposta é passar nos cinemas, antes do começo dos filmes, uma propaganda falando da importância e mostrando os usos práticos da experimentação animal, como o teste para garantir a segurança da vacina de febre amarela antes de ser aplicada nas pessoas. Essa foi a proposta anunciada na 60ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Campinas, para conscientizar o público sobre a importância do uso de cobaias.

Toda essa preocupação veio à tona depois que cidades como o Rio de Janeiro e Florianópolis editaram leis que proíbem o uso de animais em pesquisas científicas. Obviamente, eles têm medo que a população conscientize-se e novas leis sejam criadas no mesmo sentido.

Para eles:

"É uma ação de utilidade pública", diz. Segundo ele, o projeto seria uma reação a ativistas anticobaias que "confundem" o público. "Há campanhas de ONGs muito bem articuladas, com direito a filmes não educativos, que confundem experimentação animal - que usa ética - com maus tratos." O projeto de Morales tem apoio da Federação de Sociedades de Biologia Experimental. Ética? Onde está ela? Vejam as fotos que estão no site do Projeto Esperança Animal - Fotos do PEA.

Alternativas existem? Claro! Mas será que interessa encontrá-las?

Vejam, por exemplo, esse comentário que encontrei no site da Folha Online (você poderá encontrar mais informações sobre técnicas alternativas no site do PEA):

"Bioprocessadores podem substituir animais em testes de laboratórios (17/01/2008) Graças à tecnologia, os cientistas podem parar de usar animais em testes de laboratório para desenvolver cosméticos ou remédios. Pesquisadores do Instituto Politécnico da Universidade de Berkeley, na Califórnia,em parceria com uma empresa da área de biotecnologia, criaram dois bioprocessadores (DataChip e MetaChip) que mostram o efeito das toxinas nas células humanas e como as toxinas são alteradas quando metabolizadas pelo corpo.O DataChip é um biochip com mais de 1.080 culturas de células humanas; uma estrutura tridimensional que organiza as células da mesma forma como elas são arranjadas nos órgãos do corpo humano. O DataChip mostra a ação da toxina em diferentes tipos de células humanas, enquanto o MetaChip imita a reação da toxina metabolizada no fígado. Como uma toxina pode ser tóxica para uma pessoa e boa para outra, no futuro, os cientistas poderão desenvolver drogas personalizadas, usando biotecnologias modernas.Segundo os pesquisadores, os bioprocessadores são uma alternativa barata, rápida e segura para realizar os testes químicos sem usar animais. Por Helder Matos de Petrolina - Fonte: Revista Informática Hoje, SP, 10/01/2008"


Fonte: Folha Online - Links para as matérias:
Grupo fará campanha para esclarecer uso de cobaias
Câmara aprova projeto que regulamenta uso de cobaias no Brasil

Outlander - Vikings x Aliens?

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Eu adoro filmes épicos e medievais e gosto muito da cultura nórdica, mas "Outlander" tem um mistura um pouco incomum. É um "épico viking espacial", que conta a história de um soldado de outro mundo que cai na Terra entre os Vikings, trazendo junto uma raça alienígena. A fim de evitar que a antiga Noruega seja destruída, ele terá que combinar seus conhecimentos e habilidades com as armas medievais. A produção do filme é de Barrie Osborne, de o Senhor dos Anéis. Será que essa mistura vai dar certo? Enquanto não estréia, vale a pena dar uma espiadinha nos dois trailers:







China para inglês ver

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Fonte: G1 - Foto: David Gray/Reuters
Vovó chinesa protege cães e gatos da 'limpeza' causada pelas Olimpíadas.

Na tentativa de criar uma imagem "civilizada" para os milhares de visitantes durante as Olimpíadas, a China decidiu exterminar gatos e cachorros das ruas de Pequim. Felizmente, algumas almas caridosas, como a Vovó Ding, decidiram amenizar o fim trágico desses animais, que deverão ser capturados e mortos até o início do evento. O que realmente não dá para entender, a não ser por razões puramente econômicas, é terem escolhido a China, notória por seu desrespeito com homens e animais, para sediá-lo.

Falando em economia, já tentaram comprar um eletrodoméstico que não seja fabricado na China? Uma vez tentei. Era uma torradeira. Saí da loja frustrada. Não havia uma peça sequer que não fosse "made in China". Pois é, nem querendo, conseguimos boicotá-la. Sinal de péssimos tempos...

Como disse Gandhi, "a grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que tratam seus animais". Se estivesse vivo, o que diria sobre este país? Cinco mil anos de história e ainda não sairam da Idade da Pedra?

Boicote a China! Não visite. não compre produtos chineses. Assine a petição online, cliquando na imagem.

Para conhecer um pouco mais sobre o que é a China de verdade (sem a máscara das Olimpíadas), leia o artigo OLIMPÍADAS DE PEQUIM E CRUELDADE COM OS ANIMAIS no blog Jornal Defesa dos Animais.

Trailer de Na Trilha dos Mortos - Contos das Trevas

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Trailer do romance "Na Trilha dos Mortos - Contos das Trevas", lançado pela Conclave Editor no último Encontro Internacional de RPG em São Paulo. Para aqueles que gostam de contos de 'suspense e terror, esta é uma ótima dica. ;)-

Fotos do XVI Encontro Internacional de RPG

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Foi realizado Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, nos dias 5 e 6 de julho, o XVI Encontro Internacional de RPG, que contou com palestras, exposições, cosplay, mesas de rpg, card games, jogos de estratégia, live action etc. Durante o evento foi realizado também o Fantasticon 2008 - II Simpósio de Literatura Fantástica. Infelizmente, não pude ir no evento esse ano e tive que me contentar com as fotos da Toca do Cuty ;0(. Mas tudo bem, o ano que vem tem mais! Para ver a cobertura completa o XVI EIRPG, com mais de 200 fotos, acesse a Toca do Cuty.




Clique na imagem ao lado para ampliá-la.

Batman - O Cavaleiro das Trevas - O Filme

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Eu adoro filmes baseados em quadrinhos e Batman sempre foi o meu personagem predileto. Quando o Cris Nolan foi escolhido como diretor de Batman Begins, eu realmente torci o nariz para a nova adaptação. Mas ao sair do cinema, tive que reconhecer que o filme era muito, muito bom! Felizmente, superou e muito as minhas expectativas e o considero como a melhor adaptação dos quadrinhos já realizada.
Visitando o blog da minha amiga Rê, Memórias do Subsolo, encontrei este pôster maravilhoso, onde as cartas do Coringa formam o rosto do nosso herói:






O site Omelete, como sempre, soltou uma matéria direto da frigideira, falando das primeiras impressões sobre o filme. Segundo a crítica, o filme é sensacional e muito mais sombrio que Batman Begins. Estou ansiosa para a estréia! ;)-

Ele é o máximo, não?! ;D

Novo Trailer:


Veja também:

Conto - 1842: Caçada ao Diabo

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Conto ambientado na Londres Vitoriana e que explica alguns fatos e acontecimentos da cidade das brumas...

Para acessar a versão em PDF clique aqui.

Eu estava ali, em meio àquele suntuoso salão medieval, cujos móveis e obras de arte me remetiam a um sentimento de grandiosidade e ao mesmo tempo de melancolia, saudades de um tempo em que a maioria dos problemas eram resolvidos sob o fio de uma espada. Mas os tempos eram outros e eu precisava reunir todos que pudessem ajudar naquela que seria a maior perseguição já realizada em Londres. Gostando ou não, tínhamos uma oportunidade única de eliminar aquele bastardo que há décadas estava por trás das atividades dos Filhos da Meia-Noite na cidade e que tantos havia levado a morte.

Foram muitos anos de luta desde o Concílio Ecumênico de Viena, e até aquele momento não sabíamos quem era o líder deles. Mas, naquela noite, tudo viria a mudar. O corpo que jazia completamente inerte sobre a mesa havia nos dado um nome, ou melhor, a partir das informações de Edward Fletcher, sabíamos quem era o Imperador e seus principais seguidores em Londres, o que faziam e onde se escondiam. Por outro lado, tinha plena certeza de que não poderíamos agir sozinhos naquela caçada. Eu já havia pensado em uma verdadeira estratégia militar para capturá-los, mas para isto precisaríamos que a seita fosse atacada por diversas frentes ao mesmo tempo, tornando a fuga de seus membros praticamente impossível. Tudo teria que ser feito no menor espaço de tempo possível, com uma precisão quase cirúrgica. A fim de colocar meus planos em prática, havia convocado vários líderes de ordens e sociedades, embora não me agradasse nem um pouco estar em companhia de certas pessoas...

No entanto, a hora exigia sacrifícios e, se havia pelos menos algo em comum entre todos os convocados, era o desejo de impedir que não só os diabos, mas também os desafortunados espalhassem novamente o caos pela cidade, como já haviam tentado e, por vezes, conseguido. Existiam muitos interesses em jogo, e se não ajudassem por amor à Divindade, o fariam em prol de seus interesses pessoais, que estavam relacionados com o poder e a influência sobre a cidade das brumas. Enquanto perdia-me em sonhos e pensamentos atormentados por tantos anos incansáveis de luta, uma voz ecoou pelo grande salão, tirando-me daquele estado em que me encontrava, perdido em meus próprios devaneios. Um jovem diácono anunciava que Sophie McLarty havia acabado de chegar.

Seus cabelos ruivos estavam reluzentes, assim como seus olhos verdes, que não brilhavam tanto desde a primeira vez que nos vimos. Era visível sua alegria e esta devia estar contrastando, a olhos vistos, com o meu estado aparentemente frio e estático. Afinal, havia chegado à pior hora daquela longa noite que estava por vir, eu precisava contar a Sophie sobre seu pai Anthony, pelo qual sabia que tinha um amor incontestável. Ela nem me deu tempo de falar, aproveitando que estávamos sozinhos, veio correndo se sentar ao meu lado, deu-me um beijo e foi logo falando que estava esperando um filho meu. Numa frieza da qual me arrependo verdadeiramente, sem demonstrar nenhuma emoção por aquela notícia abençoada, simplesmente disse que o pai dela era o Imperador.

Ela sabia muito bem o significado daquele termo e num espaço ínfimo de tempo, sua alegria se esvaiu e eu senti seus dedos quentes tocarem em minha face com uma força que jamais imaginara que pudesse ter. Naquele instante, palavras doces deram lugar a blasfêmias contra mim e minha ordem. Foi então que a peguei pelos braços e a coloquei contra meu corpo, enquanto podia sentir seu coração bater aceleradamente. Pude sentir também suas lágrimas molhando-me a face, enquanto ela murmurava pedindo que aquilo não fosse verdade. Sophie sabia o que estava por vir, qual eram o significado daquela reunião tão incomum, o que seria decidido e o que seria obrigada a fazer. Pois mesmo para a sua sociedade, que não enxergava nem o bem e nem o mal absoluto em nenhum ser, os Filhos da Meia-Noite eram vistos como grandes inimigos. Acreditavam que tanto eles quanto a Igreja Católica eram os culpados pela deturpação de seus ritos e práticas e, por conseguinte, por todas as perseguições que sofreram através dos séculos. Enquanto enxugava suas últimas lágrimas, a porta do grande salão se abriu e Jonathan anunciou os demais convidados.

Cada líder trazia consigo seus principais aliados, que iam entrando e se colocando em volta da mesa. Estavam todos ali, templários, hospitalários, inquisidores, tanto católicos quanto Anglicanos, além de Cabalistas, Senhores do Krav-magah, Wiccans, Maçons e até mesmo escolásticos. Sophie pertencia a Wicca, mas embora já tivesse desenvolvido vários de seus dons, ainda não estava preparada para assumir a liderança de sua sociedade, a qual era exercida por Raven MacCulloch e David McMurray. Depois que todos estavam a postos, comecei a contar-lhes sobre Edward Fletcher, desde quando o capturamos até o momento em que nos deu as informações que precisávamos para livrar a cidade do poder dos Filhos da Meia-Noite e da Irmandade do Armagedon. É claro que as mais importantes e sigilosas foram deixadas para o final, pois precisava saber até onde estariam dispostos a ir, a fim de cumprir com um desejo que imaginava ser de todos. Como já esperava que fosse acontecer, uma longa discussão se desencadeou logo após minhas últimas explicações.

O grande problema estava em uma das resoluções do Concílio Ecumênico de 1815, isto é, a caça aos membros de seitas e sociedades místicas, o que incluía wiccans e maçons. Portanto, naquele momento se acendia a fogueira das vaidades, dentro da qual ninguém se entendia. Ofensas e mais ofensas podiam ser vistas por todos os lados, que eram incendiadas pelas palavras insanas do promotor católico Gianluca Dellaguardia. No início, até tentei amenizar os ânimos, mas a situação chegou a tal ponto que, sem paciência para tal balbúrdia, simplesmente sentei em minha cadeira e fiquei presenciando, meio que atônito, o desenrolar daquela discussão que parecia ser interminável. Mas no fim, quase coloquei tudo a perder...

Uma frase ecoou pela minha mente e me fez sair quase que instantaneamente daquele estado: “Podemos começar a limpeza pela senhorita Sophie McLarty, afinal, ela carrega o sangue podre que nos trouxe até aqui esta noite”. Sem pensar em nada, virei-me para o lado e agarrei seu pescoço. Sentia que poderia sufocá-lo até a morte, mas parecia que ainda restava em mim um pouco de frieza. Talvez por espanto ou ainda por desprezo pela alma daquele maldito inquisidor, todos fizeram um silêncio mórbido. Somente olhares se cruzavam quando minhas palavras quebraram o silêncio: “Se fizer mais alguma ofensa, se inflamar mais alguma discussão, Sr. Dellaguardia, eu o convidarei a se retirar de Londres juntamente com seus acólitos. E se não fizer isto, pode ter certeza que não restará um para voltar a Roma!”.

Sem nenhum comentário sobre o incidente, todos voltaram a seus lugares e, durante mais de três horas traçamos nossos planos para que pudéssemos destruí-los. A grande caçada começaria ainda naquela noite, depois que todos reunissem seus grupos e avisassem aos membros que não estavam presentes na reunião. Cada líder ficou responsável por um grupo, que foi reunido não por suas crenças, mas sim por suas habilidades em “combate”. Ao todo, deviam estar diretamente envolvidos na missão mais de cinqüenta pessoas, fora as que se mantiveram nas sombras. Estas, por sua vez, utilizaram sua influência e contatos para descobrirem informações sobre possíveis esconderijos que pudessem ser utilizados quando a perseguição começasse.

Tínhamos pouco tempo para tanto, três dias talvez, depois disto era provável que conseguissem fugir. Pode-se dizer que a caçada aos nossos inimigos foi uma busca quase que incessante pelas ruas estreitas e sombrias da cidade das brumas. Os grupos se revezavam dia e noite, indo a todos os tipos de lugares que eles pudessem freqüentar, de restaurantes mais requintados a antros de ópio e prostituição. Mensageiros cortavam os quatro cantos de Londres, interligando as informações e pistas encontradas, além de informar as baixas ocorridas e sucessos obtidos. As brumas, que a cada dia ficavam mais densas e sombrias, devido a fumaça que saía das grandes fábricas, eram ao mesmo tempo, o refúgio deles e o manto de nossas operações.

Pela manhã, corpos eram encontrados boiando no Tâmisa, nas ruas miseráveis de East End ou ainda nas proximidades de belas casas e mansões que rodeavam o West End, local onde viviam os diabos mais afortunados. Assim, Londres vivia um verdadeiro banho de sangue. Na região leste, poucos se importavam com os acontecimentos, pois crimes eram mais do que comuns naquela área da cidade. No lado oeste, as coisas eram mais complicadas, mas nada que nós e os maçons não pudéssemos encobrir, devido a nossa influência sobre a jovem Scotland Yard.

Em alguns casos, as mortes pareciam mais do que “naturais”, se é que posso dizer isso. Na quarta e última noite de nossa caçada, além de Anthony McLarty apenas um membro poderoso entre os diabos havia conseguido escapar e entre os membros mais importantes da Irmandade do Armagedon, todos já haviam sido eliminados. Como o meu grupo era o único que estava com todas as suas forças reunidas, cabia a nós a derradeira missão. No entanto, durante a perseguição a Anthony, as informações desencontradas fizeram com que eu dividisse o grupo, que seria liderado por Erick Knight.

Andamos por horas e como já era tarde nossos corpos já pediam descanso. A noite já havia sido por demais exaustiva e éramos duramente castigados pelo frio cortante, embalado pelo vento e pela chuva fina. Foi então que paramos e nos recostamos nas paredes de um beco sujo e fedorento de Whitechapel, uma das áreas mais miseráveis e perigosas do leste de Londres. No entanto, assim que recostamos, a chuva começou a aumentar seguida pelo vento frio que congelava até os ossos. Parecia improvável que realmente conseguiríamos recobrar nossas forças e nossa razão.

Por um momento, enquanto tentava recolocar minhas idéias em ordem, fiquei observando Sophie, que estava do outro lado, bem na minha frente. Ela estava visivelmente cansada, quase sem forças e seus lindos cabelos, agora desgrenhados, escondiam seu rosto de menina. Porém não ficaríamos ali por muito tempo... De repente, um corpo envolvido pelos braços da escuridão saiu de dentro das sombras e levou Sophie consigo. Sem pensar, fui até a parede e ao tocá-la, não havia nada além de tijolos vermelhos. Naquele instante, meu corpo e minha mente foram tomados por um estado de fúria. Corri desesperadamente por aquelas ruas e becos tortuosos que nos cercavam na esperança de encontrá-la. Entretanto, no meu caminho só havia dor, pavor e sombras, muitas sombras, elas estavam por todos os lados.

Meus gritos se misturavam aos trovões e ecoavam pela noite adentro sem nenhuma resposta. Em mim só havia desespero, não sabia por onde procurar. Quando a esperança parecia não mais existir, ouvi gritos, eram de Sophie, tinha certeza disso. Estava perto e por algum tempo tentei me concentrar, para que pudesse descobrir de onde vinham. Foi então que consegui chegar a um beco, as densas brumas atrapalhavam muito a minha visão. Mesmo assim, pude ver dois corpos bem próximos. Um estava recostado na parede e outro estirado no chão. “Graças a Deus!”, pensei na hora. Sophie estava sentada e ainda respirava, enquanto seu pai tinha uma respiração muito fraca. Queria sair logo dali com Sophie, mas antes precisava terminar com o que havia começado.

No chão, do lado dela, havia uma espada e o sangue escorria lentamente pelos símbolos satânicos nela esculpidos. Sem pensar em mais nada, sem o mínimo de compaixão sequer, peguei a espada com as duas mãos e cravei bem no meio do coração de Anthony McLarty. Mas qual não foi minha surpresa, quando a lâmina entrou em seu corpo! Não era Anthony que estava ali e sim, minha amada Sophie. O desgraçado havia se transformado nela, enquanto Sophie foi transformada em sua própria imagem. Mais uma vez, Anthony se utilizava de seus malditos dons! Eu havia matado Sophie e não ele como imaginava.

Porém, no momento em que retirava a espada de Sophie, percebi que sombras se formavam atrás de mim. Não sei se por intuição ou simplesmente por impulso, virei para trás girando a espada junto com o meu corpo, quando parei, a cabeça dele estava rolando pelo chão. Na verdade, quando golpeei Anthony, seu corpo estava se transformando em sombras, mas por sorte, a única parte que precisava para mandar aquele desgraçado para o inferno, que teve a coragem de condenar sua própria filha a morte, ainda estava intacta. Então virei-me novamente em direção ao corpo de Sophie e, diante dele, caí de joelhos, em prantos.

Por um tempo, segurando-a entre meus braços, fiquei pedindo desesperadamente aos Céus que a trouxesse de volta. Quando estava saindo do beco, carregando seu corpo sem vida, meus companheiros chegaram, mas sem dizer nada a ninguém, ignorando até mesmo Erick Knight, fui caminhando entre eles e embrenhei na noite escura, fria e chuvosa. Afinal, não havia mais nada a fazer, a não ser lamentar pela minha própria ira. Em meio ao meu desespero, minha mente só conseguia ter um único pensamento: “Por que me abandonaste Senhor? Por quê? Depois de tantas batalhas, tantos sacrifícios... Por que me tirastes minha amada e meu filho? Lembra-se? Não por nós Senhor, não por nós, mas para a glória de teu nome!”.

Isto tudo aconteceu ontem à noite, hoje levei o corpo de Sophie para os arredores de Londres, num local mais afastado e ainda rodeado por belos campos e flores. Chorei muito ao ver seu corpo sendo consumido pelas chamas, mas sabia que aquela era a melhor forma de prestar minhas últimas homenagens. E em meio as rosas, que ali floresciam, espalhei suas cinzas. Como ela mesma dizia, tudo vinha da natureza e para ela deveria voltar. Mas sua morte não será em vão. Hei de fazê-los pagar!

Edward Marshal, Conde de Pembroke
Mestre do Templo em Londres.

Conto baseado na ambientação do RPG Crepúsculo. Para saber mais sobre os termos utilizados, consulte o Glossário Crepuscular.