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Visitando o site do
Instituto Ethos, encontrei esse artigo interessante, publicado originalmente no jornal Correio do Povo, de 28/08/08, que aborda o tema da sustentabilidade, sob a ótica, inclusive, da geração de novas oportunidades de negócios para micro, pequenas, médias e grandes empresas.
Segundo as informações disponíveis no site, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização não-governamental criada com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus 1346 associados – empresas de diferentes setores e portes – têm faturamento anual correspondente a aproximadamente 35% do PIB brasileiro e empregam cerca de 2 milhões de pessoas, tendo como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente.
Idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa. É hoje uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo.O Instituto Ethos trabalha em cinco linhas de atuação.
1. Ampliação do movimento de responsabilidade social empresarial. Sensibilização e engajamento de empresas em todo o Brasil, articulação de parcerias, sensibilização da mídia para o tema da RSE, coordenação da criação do comitê brasileiro do Pacto Global da ONU etc.
2. Aprofundamento de práticas em RSE. Indicadores Ethos de RSE – incluindo versões para micro e pequenas empresas e para alguns setores da economia –, Conferência Internacional anual, para mais de 1.000 participantes, constituição de redes de interesse, promoção da publicação de balanços sociais e de relatórios de sustentabilidade e produção de publicações e manuais práticos.
3. Influência sobre mercados e seus atores mais importantes, no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RSE. Desenvolvimento de critérios de investimentos socialmente responsáveis com fundos de pensão no Brasil, desenvolvimento de programa de políticas públicas e RSE e participação em diversos conselhos governamentais para discussão da agenda pública brasileira.
4. Articulação do movimento de RSE com políticas públicas.
a) desenvolvimento de políticas para promover a RSE e desenvolver marcos legais;
b) promoção da participação das empresas na pauta de políticas públicas do Instituto Ethos;
c) fomento à participação das empresas no controle da sociedade, por meio de acompanhamento e cobrança das responsabilidades legais, transparência governamental e conduta ética;
d) divulgação da RSE em espaços públicos e eventos;
e) estruturação de processos de consulta a membros e parceiros da companhia.
5. Produção de informação. Pesquisa anual "Empresas e Responsabilidade Social – Percepção e Tendências do Consumidor", produção e divulgação de conteúdo e um site de referência sobre o tema na internet, coleta e divulgação de dados e casos das empresas e promoção de intercâmbio com entidades internacionais líderes no tema da responsabilidade social.
Artigo "Sustentabilidade como meta empresarial"Na medida em que os consumidores vão se tornando mais exigentes em relação aos produtos que adquirem, instituindo novos hábitos de consumo e exigindo uma nova cadeia de produção, armazenamento e comércio de bens e serviços, novos campos vão se abrindo para a atuação das empresas.
Assim, micros, pequenas, médias e grandes empresas podem participar do esforço comum pela preservação do meio ambiente sem abrir mão da produtividade e dos seus lucros. Os investimentos tendem a ter retorno num curto espaço de tempo, além da fidelização do cliente.
Pesquisas têm indicado que 3% dos consumidores apresentam disposição bem definida para pagar mais por um produto que seja sustentável. O número ainda é pequeno, mas está em alta. Também há a constatação de que o acréscimo de 10% no valor final do bem pode ser decisivo para que ele tenha sustentabilidade e possa ser produzido sem qualquer grau de agressão à natureza.
A preocupação ambiental por parte das empresas deve abarcar não somente seus colaboradores, mas também seus fornecedores. Se a empresa, ao fabricar um bem, fizer um descarte de material, isso poderá ser aproveitado para reciclagem numa cooperativa de catadores, por exemplo, gerando emprego e renda.
Também muitas empresas grandes vêm apresentando a preocupação de qualificar seus trabalhadores, de forma a que eles, com melhor educação, possam interagir de forma mais eficiente com os lugares onde vivem, tornando-se preservacionistas. Nisso entra a alfabetização e os ensinos básico e médio. A informação é um dado fundamental na luta pela preservação do meio ambiente, modificando hábitos e conceitos. Um cidadão mais informado certamente irá exigir produtos advindos de uma cadeia produtiva positiva, que não representem perigo para a natureza.
Essa prática das empresas precisa contar com o incentivo do poder público. A União, os estados e os municípios podem e devem estabelecer convênios que ajudem a aprimorar as relações de consumo em suas áreas de abrangência. Os recursos de bancos oficiais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), devem financiar programas que ajudem as empresas a trilhar o caminho da sustentabilidade.